11
Set 19

 

publicado por palavras-estreladas às 22:50

DSC00188.JPGDizia ela:

Agora eu sei. E sorte a minha tê-lo sabido antes. 

Amei inutilmente. Aturei a neura, a agressividade, a frustração. Não vi apoio, carinho ou força para mudar.

E agora vejo que estou rodeada de vazio. Gente que se preocupa comigo em nada.

Poucas vezes ouvi:

"Estás bem?"

"Precisas de alguma coisa?"

"Queres sair um bocadinho?"

"Como é que te estás a aguentar?"

"Queres desabafar? Falar sobre o que te aconteceu?"

Nada. Apenas silêncios daqueles em que um dia desconfiei poderem ser amigos ou família. 

Aqueles que ouvem uma versão de uma qualquer história e pensam saber a verdade absoluta das coisas.

Mas porque raio me hei de entristecer com isto? 

Os poucos que se preocupam são os bons do costume e que estarão sempre. 

Os outros são apenas os existentes.

Obrigada a quem olha por mim...

SMF

 

publicado por palavras-estreladas às 21:40

10
Fev 19

IMG_20190104_211150_077.jpg

Algumas pessoas não sabem que existe um cancro da alma. Esse bicho invisível que corrói e atormenta, que se vai alimentando aos pouquinhos das coisas boas que se vivem. Esse maldito cancro da alma que muitos apelidam de  fingimento, desculpas de "mau pagador", vitimização, fraqueza, preguiça, falta de personalidade, fracasso...

Algumas pessoas não sabem que esse maldito cancro da alma suga as forças com uma velocidade tremenda, deixa as pessoas zonzas, desorientadas, perdidas e confusas. 

É uma pena algumas pessoas não conseguirem perceber que há pessoas a padecerem desse cancro da alma durante meses e anos a fio e mesmo assim têm a capacidade de rir, dizer piadas, tratar dos outros e levantarem-se todos os dias para trabalhar. Vão a festas, maquilham-se, compram roupas novas, sorriem, jantam fora, cuidam das crianças, cozinham, tratam da casa... enfim. Têm uma vida normalissima para quem padece de um cancro. 

Pois é... o que algumas pessoas não sabem é que para fazer tudo isso é preciso um esforço tremendo... Porquê? Porque a pessoa está com um cancro da alma e tem que viver na mesma como se nada fosse. Afinal de contas só tem que ingerir uns antidepressivos e uns ansiolíticos para não ter um fanico e ver o mundo brando em tons de rosa. O seu corpo não está cravejado de agulhas da quimio, não há marcas das sessões da radio e nem sequer um pequeno repouso na maca do hospital.

Algumas pessoas não sabem o desespero que é acordar para trabalhar, ter de estar bonito para ir a uma festa, ter paciência para aturar as crianças, cozinhar, e executar as tarafas mais mínimas porque  simplesmente, não há força, não há  controlo nem vontade e há, sim, uma doença.

A depressão é real e algumas pessoas não sabem. Simplesmente porque não querem saber. Porque não se interessam, porque não querem aturar deprimidos, malucos ou enjoados, porque não entendem o choro fora de contexto, a tristeza nas horas felizes, o cansaço repentino, a falta de paz... de amor próprio, de confiança. 

Algumas pessoas não sabem... mas deviam saber.

SMF

publicado por palavras-estreladas às 00:27

01
Fev 18

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Querido Pai,

Escrevo-te esta carta para que fiques mais tranquilo e mais descansado porque vai correr tudo bem.

No início de janeiro do ano 2018 a tua saúde vai piorar bastante (apesar de já andar mal há muitos anos). Vou ser “obrigada” a levar-te para o Hospital. Tu vais ficar tremendamente zangado comigo pois querias ficar em casa. Porém, passados uns dias de internamento, lá vais percebendo que eu e a mãe não tínhamos quaisquer hipóteses de cuidar mais de ti.

Os dias e horas vão correndo devagar e eu vou percebendo que os tratamentos que te estão a fazer não estão a resultar. O corpo está fraco e cheio de mazelas… Vou chegar a casa a chorar todos os dias a pensar durante quanto mais tempo esse sofrimento vai durar.

Vais morrer no dia 22 de janeiro. Eu e a mãe vamos ao Hospital e o médico vai informar-nos que faleceste às 6 da manhã. O chão vai “fugir-nos” debaixo dos pés e vai ser impossível travar as lágrimas. Vamos olhar uma para a outra num vazio de palavras.

Vão levar-nos para casa. O teu genro vai ajudar-nos em todo o processo para organizar o teu funeral. Nem eu nem a mãe vamos desmaiar ou sentir-nos mal. Vamos aguentar-nos firmes como duas rochas. Ao contrário do que eu sempre pensei, vou arranjar força para abrir o roupeiro e escolher um fato para ti e uma camisa que adoravas vestir. Vou escolher uma foto tua (quando eras mais jovem) para colocar na mesa do velório.

O teu corpo vai seguir para a capela. Eu vou conseguir ver o teu caixão a entrar no edifício. Quando abrirem o caixão vão destapar-te a cara para te vermos. Tu vais estar sereno. Como se estivesses a dormir. Estarás muito bem arranjado como gostavas sempre de andar. O teu farto cabelo branco vai estar impecavelmente penteado, a tua barba vai estar feita e a tua expressão será calma. Não será incómodo olhar para ti. Sempre pensei não ser capaz de te tocar mas vou ter coragem de fazê-lo. Primeiro vou tocar-te no cabelo e depois na testa. Até essa data eu nunca tinha mexido num cadáver e tu serás o primeiro. O mais estranho vai ser o frio. O teu corpo terá a temperatura de um “cubo de gelo” mas isso não me impede de te tocar.

Irá muita gente ao teu velório. Família, vizinhos, colegas de trabalho e amigas minhas de infância e de escola que te conheciam desde sempre. Eu e a mãe estaremos sempre apoiadas.

No dia do teu funeral, a mãe vai querer que seja feita a Celebração da Palavra. Um padre fará o que se poderá chamar de uma “curta missa” onde se prestará a ti uma última homenagem. A capela vai estar cheia de pessoas. Apesar de toda a tristeza do adeus, há um enorme conforto humano.

Depois as pessoas sairão da sala e a família próxima vai ver o teu corpo pela última vez. Eu vou ter coragem de te beijar a testa e a mãe fará o mesmo.

Seguirás numa carrinha funerária muito bem arranjada e com muitas flores. Tu sempre adoraste flores. Eu vou seguir atrás de carro onde vejo uma coroa de margaridas com o teu nome escrito no meio. Vou-me mentalizando que o que está a acontecer é mesmo verdade.

Vamos chegar ao cemitério. Vais ser enterrado num dia típico de primavera apesar de ser inverno. Sempre adoraste a primavera… Estará um sol radioso e até um pouco de calor. No cemitério, o cheiro de flores mistura-se com o dos ciprestes. Não há vento. Será um dia calmo e bonito.

Os teus mais próximos lá estarão presentes. O teu caixão será baixado por quatro homens de ar duro. A primeira terra que cai na madeira vai emitir um barulho insuportável. Se calhar até será um barulho normal mas a mim vai fazer-me estremecer. As enxadas não vão parar até o caixão desaparecer. No fim ficará um monte de terra coberto de flores.

As pessoas irão embora. Eu e a mãe temos a ideia de que nunca mais iremos conseguir dormir ou comer. Mas não te preocupes que isso não passa de uma ideia. Ao 5º dia eu vou conseguir fazer uma refeição completa e ao 6º dia vou conseguir dormir. A mãe vai ficar perdida sem a tua presença lá em casa mas também vai continuar a comer e dormir.

Como podes ver, vai correr tudo bem, Pai. Vai ser uma despedida bonita. Tu vais ficar em paz e nós vamos aprender a viver com as saudades.

Até um dia...

Beijinhos. 

publicado por palavras-estreladas às 16:59

28
Dez 17

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Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância eu estava no lugar correto e no momento preciso. E então, consegui relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha angústia e o meu sofrimento emocional não são mais que sinais de que estou agindo contra as minhas próprias verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade.

Quando me amei de verdade, deixei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a perceber que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje sei que isso se chama… Maturidade.

Quando me amei de verdade, compreendi por que é ofensivo forçar uma situação ou uma pessoa só para alcançar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa (talvez eu mesmo) não está preparada. Hoje sei que isso se chama… Respeito.

Quando me amei de verdade, me libertei de tudo que não é saudável: pessoas e situações, tudo e qualquer coisa que me empurrasse para baixo. No início a minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que isso se chama… Amor por si mesmo.

Quando me amei de verdade, deixei de me preocupar por não ter tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os megaprojetos do futuro. Hoje faço o que acho correto, o que eu gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos. Assim descobri a… Humildade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. E isso se chama… Plenitude.

Quando me amei de verdade, compreendi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, é uma aliada valiosa. E isso é… Saber viver!

publicado por palavras-estreladas às 11:32

23
Nov 17

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Apetece-me dizer-te que gosto de te ver dormir…

Pestanas longas, madeixas caídas, boca de lado. Gosto que durmas para mim, na nossa cama onde nos tocamos ao acaso nesse acto tão íntimo e isolado mas cheio de amor: Dormir.

Apetece-me dizer-te que hoje não tive vontade de lavar a loiça. Sei que agora temos um pequeno castelo de pratos, tijelas e panelas encavalitados sem nexo e em modo tosco fazendo uma pequena cascata abstracta na bancada. A sério que tentei mas estava mesmo tão cansada…

Também não descongelei nada para jantarmos mas sei que vamos inventar um menu à última hora.

A roupa está estendida. Apetece-me dizer-te que odeio aquelas camisas que usas cheias de vincos. Mas infelizmente ficam-te bem. Há coisas irritantemente absurdas!

Apetece-me dizer-te que quero apenas ser melhor contigo e quero-te melhor do que és. Ser feliz pode ser tão simples. Vamos esquecer os pormenores desnecessários. Faz-me feliz, por favor… Não me faças sentir como um “puzzle” que vai perdendo peças ao longo do caminho.

Apetece-me dizer-te que quero gostar de ti para sempre. E que o sempre seja longo. Longo mas sem pressas. Sem pressas mas com alvoroço. Paixão, paixão.

Apetece-me dizer-te que tenho pavor dos meus defeitos. Que tenho ainda mais pavor dos teus. Os defeitos que todos tomam por “personalidade” são como um naco de bife duro que anda às voltas na nossa boca e, por mais que se mastigue, nunca se consegue desfazer. Ou se engole, ou se cospe! Se calhar o bife tem de se partido em pedaços muito pequeninos para que o transtorno não seja tão grande.

Apetece-me dizer-te que hoje foi um dia difícil no trabalho. Que precisava mesmo de uma massagem e de um abraço carregado de mimo. Mas estou mesmo tão cansada… vamos dormir?

Gosto de te ver dormir.

 

publicado por palavras-estreladas às 14:15

11
Nov 17

Foto_desafio 8_CNEC (4).jpg

 

São 16:00. A Ana não trabalhou hoje. Nem sabe quando irá trabalhar. Resta-lhe apenas ficar com o seu coração forrado de asfalto e a sua t-shirt anti-balas.

É bom saborear o caos numa bela poltrona improvisada. As pessoas apenas se misturam e, nesse momento, deixam de ser pessoas e passam apenas a ser uma massa gigante de pele, ossos, sangue, cabelos e secreções. Apenas dejectos humanos.

Agora os dias passam a ser um somatório de horas, minutos e segundos esperando que a doença se assuste do corpo dela. Seria o ideal. As doenças nefastas deviam chegar ao nosso corpo e deviam abandoná-lo com a mesma rapidez com que entram.

É só mais uma pequena batalha para a Ana que, rodopiando, sobre si mesma, gosta de estar no topo. Gosta de saber que, por um período indefinido, não fará parte da massa gigante que observa. Agora é apenas ela – a Ana – e não o conjunto da humanidade que se atropela respirando os tubos de escape da metrópole.

Como pode o infortúnio carregar paz? A Ana sabe. Ele faz-nos pensar em nós. Ele dá-nos tempo para pensar em nós. Agora há um olhar preso no horizonte a carregar a esperança de ser livre. Deveria ser rápido e letal, mas que se foda! Há-de ser vagaroso e incerto. A medicina há-de opinar, analisar e medicar e a Ana há-de chorar, sorrir, gritar.

Por enquanto basta-lhe uma cadeira improvisada, um trono citadino onde ela é a rainha que rodopia sobre si…

publicado por palavras-estreladas às 20:44

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Sempre te disse que era desinteressante nua. Sou mais bonita vestida, meu amor. E ainda bem.

Sabes, hoje é um dia importante. O dia em que te agradeço por tudo. Por não ter sido tua, por não me teres visto nua.

Agradeço-te a ti por teres sido esse grandessíssimo cabrão que me mudou a vida. Graças a ti vou deixar de viver em ilusões e mentiras. Acabaram-se os risinhos escondidos na penumbra das esquinas, os olhares lânguidos que me lançavas na tasca onde te via.

Quase me fizeste acreditar no romantismo ao deixares-me uma rosa no parapeito da janela (roubada de algum cemitério, aposto) e ao depositares-me na mão um beijo à moda antiga:

“Bons olhos a vejam, menina”!

Bons olhos? Os teus? Blasfémia! Como poderão ser bons se se desfazem em pedaços e se esfumaçam em segundos diante dos meus.

“Vamos viver uma história de amor. Daquelas que já não mais existem, minha flor”.

Vamos, pois. Nesta rua lisboeta, apertada e tão bem arrumada onde até as formigas se conhecem umas às outras. Ninguém iria saber que terias mais 30 anos do que eu. Os vizinhos nunca te imaginariam a tomares comprimidos milagrosos para aguentares os delírios de uma jovem de 25.

“Coitado do velho! Ela vai dar cabo dele! O que é que uma miúda daquelas vê naquele “saco de rugas?”

Vi amor. Tu viste vida, seu bandalho.

“Escreve-me bilhetes de amor, para que só eu os leia. Irei guardá-los a todos, religiosamente, num baú que comprei numa belíssima loja de antiguidades”.

Grande bastardo! Nesta rua lisboeta, apertada e bem arrumada, dei com a minha letra espalhada, no chão, num pequeno bilhete rasgado ao meio.

“(…) Espero notícias tuas, meu amor. Tenho saudades infinitas (…)”

Desde há 3 semanas que nada sei de ti. Roubaram-te o baú antigo, foi?

Não gosto de amores antigos. Sabes porquê? Cheiram a mofo. É favor rasgar depois de leres pois já confirmei que estás vivo.

Sem beijos e sem saudades.

 

publicado por palavras-estreladas às 20:37

06
Nov 17

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Bom dia. Boa tarde. Boa noite.

Escrevo em português mas sei muito mais línguas. Todas soam diferentes e todas dizem o mesmo. Surpreendente, não é? Todas as línguas dizem o mesmo mas os homens têm sempre dificuldade em entender-se uns aos outros. Vá-se lá perceber…

 Infelizmente não consigo escolher um local para adicionar ao meu estado. Isto acontece porque estou em todo o lado e, aparentemente, a pessoa que congeminou esta ferramenta, muito útil, por sinal, não equacionou esse pormenor. Enfim, detalhes sem importância. Lá estou eu a ser “picuinhas”.

Quero desde já desculpar-me pela foto. Sei que não é nada apelativa. É um fundo branco, bem sei. Mas não tenho cara nem cor associada. É impossível escolher uma “não cor” pois tudo tem cor neste mundo, até mesmo o preto e branco. Optei pela chamada “cor da paz” para vos passar mais tranquilidade, ou até mesmo para deixar um certo mistério no ar. Serei anafado ou serei esguio? Tenho barba? Uso óculos? O que posso ter eu de diferente que me distinga de tudo o resto que existe? Nada, parece-me a mim.

Locais, filiação, data de nacimento, estado civil… Lá vêm os pormenores. Normalmente as pessoas encontram-me nas igrejas. Talvez seja o sítio mais óbvio. Mas também sou frequentemente chamado em hospitais, catástrofes, desgraças e infortúnios. Ah! E muitas vezes à noite, no leito de muita gente. Também me chamam em situações de alívio e júbilo (chamadas mais raras, aviso desde já). Sou de todos vós. Nasci há tanto tempo que nem me lembro…

Como podem ver, não tenho assim uma vida tão interessante, nem consigo perceber porque me fui aventurar nesta façanha virtual mas como eu sou “tudo” e isto é uma parte do “tudo” que existe, aqui cheguei. Vamos ver se faço muitos amigos!

Bem, deixo-vos. Estou a acabar o download de um filme que ando para ver há mil anos. Daqui a nada já vos conto se foi bom.

publicado por palavras-estreladas às 23:05

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A Inês prepara-se para receber as melhores amigas. A Joana e a Sara. Formavam o trio perfeito.

A Joana era a aventureira. Solteiríssima e predadora de homens. Mulher muito independente e autónoma. A Sara era uma mãe de família e uma autêntica “fada do lar”.

A Joana irrompe pela sala com uma garrafa de vinho e a Sara segue-a com um pote de compota caseira.

- Sou uma mulher de sorte! Uma traz vinho e outra traz compota!

- Não desfazendo da compota, o vinho é melhor! Aliás, nem faço a mais pálida ideia de como se faz compota. Bem… nem vinho! – o riso é geral.

- Claro, Joana, tu tens mais tendência a bebê-lo… - a Sara goza com ela - Então Inês, como estão as coisas com o Nuno?

Silêncio.

- Separa-te!

- Oh Joana! Estás parva? – a Sara repreendia-a.

- Parva? O que é que ela anda a fazer com ele? A lavar-lhe meias e cuecas?

- Eu não me importo de lavar meias e cuecas… - diz a Sara num murmúrio.

- Mas Sara, minha querida, tu és mais boazinha que a Madre Teresa.

- Gosto de ser uma mulher e mãe dedicada, qual é o mal?

- Absolutamente nenhum! Só por não me ver nesse papel não quer dizer que não aceite que há mulheres capazes de o desempenhar lindamente! Então, que pensas fazer? – dirige-se à Inês.

- Nada…

- Ora que bela decisão! Vais continuar com um tipo que não te aquece os pés à noite, que não te vai fazer um chá quando estás doente… Pior! Que não está em casa quando precisas de abrir um frasco de azeitonas! Acredita, há frascos terríveis! Eu aproveito sempre para abrir frascos quando levo algum homem lá a casa.

Embora o ambiente estivesse tenso ambas riem perdidamente com a descontracção da Joana.

- A sério… Como é que ainda vos consigo aturar?... – a Inês sorri.

 

publicado por palavras-estreladas às 22:48

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